O dia que voltei a ser cacheada e feliz comigo!

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Se olhar no espelho e não gostar do que vê é uma das piores situações que uma mulher pode viver. Algo comum, infelizmente, porém anormal. Assim,vivi boa parte da vida descontente com o meu cabelo que eu intitulava como “ruim”, já que há algum tempo era comum nomear o cabelo bom ou não. Até que um dia voltei a ser cacheada e nunca mais quis voltar para a progressiva.

E, pra falar a verdade, acho que a minha história é tão parecida com a de inúmeras cacheadas, onduladas e crespas que esconderam a sua verdadeira origem debaixo de chapinhas e progressivas. Eu encontro muitas meninas e mulheres que ainda vivem a mercê de química por não aceitarem suas molinhas.

Tão nova e já odiava o meu cabelo…

Pense só, uma criança ter repúdio do próprio cabelo por não ter um igual a de outras amiguinhas? Minha mãe sempre prendeu meu cabelo com rabo de cabelo, e eu gostava por deixar a minha jubinha controlada. Eu era fascinada com o cabelo de uma coleguinha do jardim de infância, ainda mais que era muito fácil de pentear. E também tinha minha irmã do meio que tinha cabelo liso.

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Minhas irmãs Deborah e Jéssica e eu no meio.

Mas chegar na adolescência não foi fácil, ainda mais que a moda do liso era tendência, até mesmo nas prateleiras das perfumarias que vendiam relaxantes para crianças. Com 12 anos já relaxava o cabelo para diminuir o volume, que odiava, até então.

Aprendi com minha mãe a fazer escova e prancha nos meus próprios cabelos, passava cerca de três horas para esticar cada cachinho e ficar perfeitamente como desejava.

Em um dos dias de luta, pois não era fácil ter a rotina de alisar, quase que o secador sugou metade do meu cabelo por um pequeno descuido que tive. A verdade é que eu não gostava de viver aquilo, era desgastante e incômodo.

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2011

No fim da fase teen, quando a gente decide a ter certas ideias e formar a nossa identidade, já não me enxergava naquele cabelo liso, além de estar totalmente indisposta a continuar, mesmo com a progressiva que facilitava a minha vida de alisada. Foi uma decisão fácil, fui determinada, porém enfrentei duas dificuldade: tempo e a rejeição.

Voltei a ser cacheada, mas…

Foram longos (longos mesmo!) dois anos de espera para retirar toda e qualquer química de alisamento do cabelo, permaneci com as técnicas de escova e prancha para alisar, mas a ansiedade de me libertar e ficar naturalmente cacheada atrapalhava qualquer tranquilidade.

Quando, enfim, no ano de 2013, me tornei cacheada, tive bons feedbacks, mas tive aqueles com o tom de “Prefiro você lisa”, “Acho que deixou você mais gorda”, “Que bobeira essa onda de cachos”.

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2013

Poderia ter dado ouvidos às descontentações? Sim. No entanto, me vi no espelho e, fazendo trocadilho de versos do encantador Tiago Iorc, eu “amei me ver”! Além das facilidades de cuidar dos meus cachos, me identifiquei com o que vi e adorei. Parece ser exagero, mas mulher sabe bem como cabelo é um aspecto fundamental para a imagem dela e um bem imensamente precioso.

Deixo claro que não sou contra a qualquer método de alisamento, afinal, isso é escolha pessoal que nem cabe críticas e discriminações. Tudo o que falei até aqui é um relato de quem esteve com vergonha de seus próprios cachos, do seu volume, da beleza que é viver naturalmente. Ame quem é, ame seu cabelo independente da forma que é. Ame se ver!

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